Esforços vãos


Não me apetece nada interpretar o papel de coitadinha porque pode acontecer que eu seja, isso sim!, uma grande chata. Um ser terrivelmente maçador, com o dom envenenado de não distinguir a ténue barreira que existe entre preocupação e possessão, entre cuidado e controlo.

Tenho muito medo da obsessão, da obstinação, da cegueira mental, da acrasia e do comodismo doentio que se apodera de gente que parece tão astuta, tão iluminada, tão livre, tão espiritualmente aberta, tão volátil e receptiva a novas emoções, vivências, experiências. Acontece frequentemente, mas só me apercebo quando me dou ao trabalho de pensar no assunto. Conheço pessoas vitimadas por esta síndrome e o que mais estigma me causa é que eu, involuntariamente, acabo por me ressentir também. Se calhar, mais até do que os "doentinhos teimosos" porque eles... Bem, eles sentem-se bem e acham que aquilo que dizem, fazem, seguem, proclamam, defendem, anunciam, (...), é que está imaculadamente certo. Se eu discordo, contesto ou tento alterar o curso dos acontecimentos dizem que sou irracional ou que não me consigo dedicar a nada.
Vai daí, eu pergunto: por que raio é que eu não tenho direito à minha pequena teimosia? E por que é que não me deixam dedicar àquilo que me daria imenso, pleno, extremo gosto?
Geralmente, nunca faço valer a minha vontade. Nem os meus apetites. Nem os meus ímpetos. Esbarro sempre em suposições e em opções bi ou trifurcadas provenientes desta minha mente tão veloz, que às vezes me angustia de tão pródiga que é.

E é isso. Eu tenho medo daquilo que não conheço. Como nunca me deixaram ser obstinada com algo ou alguém, porque me cortaram logo as asinhas e afundaram as minhas bases, eu tenho medo de ficar obcecada, obstinada, acomodada. Mais do que isso, tenho medo de ficar SAUDAVELMENTE obcecada, obstinada, acomodada.
Fazia-me falta (mais) alguma certeza. As que tenho não são assim tantas quanto isso e de vez em quando agitam-se mais do que a bandeira hasteada em frente à Câmara Municipal de uma terrinha qualquer muito ventosa. Fazia-me falta um conforto diferente, um abraço diferente, uma palavra banal, mas que soasse diferente. E não, não estou carente.



NEXT.

Espero bem que na quarta não esteja um frio-insuportável-congelador-de-ossos-e-encarquilhador-de-costelas. Obrigada.

Reserva Mental

Não quero Natal, detesto Natal, não me sinto nada enlevada quando ouço "Driving home for Christmas", não gosto de todas aquelas luzinhas pisca-pisca que surgem a cada canto e que resultam em gastos tremendos de energia, não gosto de contar os dias para a época mais feia do ano, detesto ouvir Happy Christmas (War is Over) porque também nunca gostei do John Lennon, abomino rabanadas, aletria, bolo-rei, SOPA DOCE, assusto-me com a ideia de ter que ir fazer aquelas visitas natalícias com o meu pai e delicio-me com a ideia de o Natal ser, apenas e só, uma única vez no ano.





E isto tudo uma grande peta, "reserva mental", so it seems.

Retórica

Hoje foi um dia que, sem que acontecesse nada de mais, me deixou de rastos. Falo já no passado porque quando voltar a sair de casa, estou mesmo a ver, já vai ser amanhã.

Comecei por me atrasar terrivelmente; em 12 minutos tive de fazer tudo aquilo que faço em 20 ou 25. Parecendo que não, a diferença ainda é avultada porque de manhã cada minuto conta. Não é cliché, é mesmo verdade.
Felizmente consegui apanhar o meu rico comboio das 7h22, mas caramba, ia fazer teste de Matemática. Não é que depois de tanto trabalho, tantos exercícios, tantas explicações, tanta atenção nas aulas... Fiquei toda despenteada tal era o meu desespero a resolver o teste?!
Parecia que era tudo novo para mim, que aqueles exercícios eram incrivelmente diferentes de todos os que já resolvi (e resolvi bem, e com mérito). Resumindo, estou cheia de medo, e Matemática é o calhau do ano.

A aula seguinte, dessa bela pérola chamada AP, merecia uma rúbrica na Euronews: No Comment.

E pronto, eu sei que estou no céu, mas por que raio de carga de água é que estas coisas me deixam completamente abananada? Será a minha mente assim tão desocupada? Será o meu estofo assim tão frágil? Isto é retórica, porque eu (quase) que sei a resposta.
Será que só eu é que vejo nuvens pretas quando elas não passam daquelas nuvenzinhas fofinhas da manhã, antes de o sol chegar para ficar?
Será que eu é que não sei definir prioridades? E será que eu algum dia vou ser alguém? E será que para umas coisas atinarem, outras têm de descambar? É que... não me obriguem a escolher, porque "Será que eu saberia?". E isto já não é retórica.

Eu gostava de ter...

... alguém a quem dizer isto. Ou parecido.

"Gosto de esperar por ti, de te ver enquanto caminhas até mim. O nervosinho sussurra sempre, mas cada tremor tem a doçura do açúcar dos teus olhos.
Gosto mais de te observar e de te sentir comigo, mesmo que voe para longe, para o mundo dos teus traços, dos teus sinais, do teu singular. É o teu timbre, é o teu pestanejar, é o teu cheiro, é o teu calor, é o teu toque! É a tua majestade feita minha segurança; é o teu cuidado transformado no meu conforto; é o teu carinho encarnado no meu sorriso. É estar contigo e querer chegar ainda mais perto, sem medo, sem repulsa, intimamente e com a inocência da rosa branca. É dar-te a mão, entrelaçar os meus dedos nos teus e imaginar os nossos corações em tão perfeita comunhão. É sentar-me ao teu lado, saber que temos horas pela frente, e mesmo assim já sentir um quê de saudade. É a ameaça do vazio que vais deixar comigo quando nos separarmos, mesmo que seja por pouco tempo, que faz brotar em mim a sensação dessa palavra tão lusa.
É o gostar sem razão. Porque és mais, és melhor. Para mim és (o) melhor. É o bucolismo de gostar sem pensar, mas por sentir, sentir desalmadamente, mas convictamente.
É querer e ter e poder sonhar por mim, por ti e por nós, por aquilo que temos de mais bonito! Numa conexão sadia, é saber que és o meu tudo e que eu sem ti sou menos, pouco ou quase nada."

3 pontos.


1º.

Hoje fiz teste de Português. Correu uma boa merda para falar... português.
Perdi a noção do tempo, achei que ia poder fazer o teste com toda a calma deste mundo e do outro, mas faltavam 5 (!!) minutos para tocar e eu ainda nem a composição tinha feito. Fí-la quase às cegas, se me perguntarem só sei que "desemprego" e "emigração" são duas das palavras que lá estão. Palavra que fico impressionada com a relação gosto-notas. Gostei tanto do "Sermão de Santo António aos Peixes" e tive umas notas que, eu sim!, eu é que merecia um sermão e uma barbatanada na cara; estou a adorar Fernando Pessoa e o teste corre-me assim? Duas palavras: En fim.
Agora, o verdadeiro problema, que até pode entrar em contradição com o que disse para trás, mas não vão por aí; é uma luta antiga:
Que raio de ideia é esta de castrarem a imaginação das pessoas?? Não querem pessoas expeditas, que raciocinem, que defendam uma tese e que argumentem em favor dela sem reservas? Não querem pessoas que se saibam expressar, que sejam claras, que construam frases e textos com cabeça, tronco e membros?
Pois é, parece que não. Com os malditos limites máximos de palavras impostos, os textos ficam-se só pela parte da cabeça, às vezes sem orelhas. Um mínimo exigído ainda admito, agora... um limite máximo? Pelo menos, um limite máximo tão apertado? O que é que eu digo em 300 palavras?
Isto é censura, parecendo que não.




Sinto-me uma daquelas qualquer-coisa Anónima. Palavra de honra, só me faltam mesmo as reuniões semanais. Não é por mais nada, é por ter encasquetado uma ideia e por a estar a levar mesmo a sério. Não é costume.




Fiquei, obviamente, muito contente pela vitória do Obama. Não estou à espera de que ele seja o salvador da Humanidade, mas já estava cansada de ver o presidente mais falado do mundo sempre feio e trombudo, com aquele sotaque texano. Claro, impõe-se dizer: será que vai ser tão falado como era o Bush, campeão das gaffes? Visto por esse lado, espero sinceramente que não. Assim como também quero crer que não vamos ter outro desfecho "Kennedyano".

Parecendo que não...

... afecta-nos a todos.
E nada de manifestações contra a hegemonia dos States e a favor dos direitos humanos e aquele chorrilho de indignações que surgem mal se ouve "Estados Unidos da América". Contra factos, não há argumentos.

GO OBAMA, GO!


! AVIV


Laranja doce tem de ter a casca fina
Laranja doce tem de ter a casca fina
O amor do homem é uma menina
O amor do homem é uma menina

Uma menina tem de saber a pimenta
Uma menina tem de saber a pimenta
O amor do homem é a ferramenta
O amor do homem é a ferramenta

A ferramenta tem de estar bem afiada
A ferramenta tem de estar bem afiada
O amor do homem é a marmelada
O amor do homem é a marmelada

A marmelada tem de ser feita na praia
A marmelada tem de ser feita na praia
O amor do homem está debaixo da saia
O amor do homem está debaixo da saia

Debaixo da saia há um bicho cabeludo
Debaixo da saia há um bicho cabeludo
O amor do homem é... é isso tudo!
O amor do homem é... é isso tudo!

E virou =D ( a nossa lindíssima versão, não me venham dizer que também leva sal e cenas afins )


Viva a cantoria, vivam as aulas de Português, viva o Caeiro, vivam os Nine Inch Nails, vivam os pequenos-almoços da segunda-feira e viva a sorte espectacularmente bem calculada de não ser chamada pela professora de Matemática!
Vivam os Clippers, vivam as badalhoquices e os pensamentos fora de cena!
Vivam os amigos, os melhores e OS MEUS!
VIVA LA VIDA .



-Fátima, qual é o plural de 'vem'?
-Oh stora... vens?

Teoria da Relatividade


A Relatividade, em sentido quotidiano, vai muito mais além daquilo que o génio Einstein teorizou. Aquilo que vejo e leio nas notícias, aquilo que sei por vozes do alheio, aquilo que um amigo me confidencia e me faz querer abraçá-lo e dizer-lhe que, perdendo tudo, ainda há-de ficar com uma nulidade (eu própria) para o ajudar... Toda esta volúpia de informações que chegam até mim, ora porque tem de ser, ora porque não gosto de me sentir a leste, ora porque honro os meus compromissos, ora porque não consigo evitar que cheguem até ao meu cérebro e que por ele sejam processadas, tudo isto me deixa atónita, enraivecida, como se tivesse provado a injustiça por que alguém passa, e com a sensação de que valho mesmo muito pouco. Quem sou eu para achar que uma nota que não me agradou tanto (se calhar por negligência minha, who knows?) me dá o direito de responder secamente a quem me pergunte, completamente desarmado, o que quer que seja? Por que raio é que eu acho que... Podia enumerar, mas o blog é público e nunca se sabe.

Retomando: relativizar é preciso. Relatividade nos pensamentos e nas acções. Se não estou bem, há quem esteja ainda mais afundado e, mesmo assim, continue a esbracejar para vir à tona. Relatividade nas palavras. Por que é que eu devo disparatar só porque alguém disparatou comigo? Dar a outra face é um acto nobilíssimo digno apenas de Jesus, mas engolir em seco, conter uma palavra mais aguçada pode ser a chave para a mudança e disso todos somos capazes, mesmo sem fita-cola que nos tape a boca. Relatividade nos sonhos. Nas apreciações. Nos juízos. Nos sentimentos. Nas angústias. Nos problemas. Nos... . Nos... . Nas... .


A minha palavra de apreço e de carinho para todos aqueles que nada mais fazem na vida a não ser lutar, lutar contra uma doença, lutar pelo bem dos outros, lutar para ser melhor corrigindo-se a si e aceitando os defeitos dos outros.


Eu acredito nisto, juro que sim, mas nem sempre consigo materializar esta minha crença. A quem me atura os desatinos... ;)

And so it is...

- Can I still see you?
- ...
- Dan, can I still see you? Answer me!
- I can't see you, if I see you I'll never leave you.
- What will you do if I find someone else?
- Be jealous.
- Do you still fancy me?
- Of course.
- You're lying. I've been you.
- ...
- Will you hold me?
- ...
- I amuse you but I bore you!
- No, no.
- You did love me?
- I'll always love you. I hate hurting you.
- Then why are you?
- 'Cause I'm selfish. And I think I'll be happier with her.
- You won't. You'll miss me. No one will ever love you as much as I do. Why isn't love enough?

in "Closer"

Dreaming!


"(...)Se tu soubesses como eu sonho contigo, como eu sonho contigo, pensarias mais em mim (...)"

JURO! Que seja ceguinha!
Se tu soubesses, podia ser que lhes desses valor, a esses bocadinhos de pensamento reprimidos a que chamam 'sonhos'. Quem sabe?, podia até ser que me desses (mais) valor a mim.
Mas convenhamos, contar-te-ia eu o que quer que fosse sobre os famigerados? Muito dificilmente. Um pormenor, outro pormenor, quem sabe um pormaior? Mas TUDO? É que... NEM EM SONHOS!! --'



69 visitas? Que raio de mente a minha --'

O Ponto e a Vírgula - III

(...)

Um dia, o ponto chegou a uma conclusão. Percebeu que, se não gostava de estar acompanhado, era porque não tinha, ainda, achado a companhia certa. Ele sabia que era assim, ele lembrava-se de tantas histórias de amores e desamores que ajudara a escrever, sabia que gostava mais de ser usado para estabelecer uma passagem de um estado bom para outro melhor, mas que abominava ter de ilustrar uma quebra. Ele sabia que podia ser feliz… Demorou a perceber, talvez até ainda não tivesse percebido correctamente, mas tinha de se fazer às frases, em busca de uma companhia idílica.


Outro dia, talvez o mesmo, a vírgula sentiu-se nova. Parecia que estava qualquer coisa muito bonita para chegar… Ela, que se tinha sentido tão desanimada, ela, a vírgula! Ela pressentia algo e o mais curioso era que esse algo não estava longe, estava até mais perto do que ela alguma vez imaginara. Quantas vezes falara com ele, quantas vezes passara por ele… E ele sempre tão sério, tão circunspecto, tão distante!


Como teria sido possível? A jovialidade dela, a insegurança dela, a timidez dela… Tudo isso lhe despertava uma vontade tremenda de lhe ser útil e de a proteger, mas só agora ele reparava nisso. Tantas vezes que a tinha observado, tantas vezes que tinha assistido à sua vontade de querer dizer tudo tudo tudo! Tantas vezes que olhara para ela…

O ponto chegou e aproximou-se da vírgula. A vírgula estremeceu, mas sentiu que a novidade, que ela tanto estudara e fora conhecendo, estava agora consigo.
O ponto e a vírgula são agora o pontoevírgula. Marcam uma sequência, mas também trazem uma diferenciação. Confrontam ideias e ideais, mas estão unidos nas suas ideias e nos seus ideais. Pontoevírgula, pontoevírgula…

"Eu não gostava de estar sozinho; agora gosto de estar sozinho com ela…
Eu tinha medo da solidão; agora gosto de me perder na nossa solidão…
Eu também não sabia estar acompanhado; agora sei que é sempre preciso algo mais…"

Pontoevírgula;

O Ponto e a Vírgula - II

(...)

A vírgula achava que não fazia sentido se estivesse sozinha. Desejava sempre que antes e depois de si estivessem as suas amigas palavras, desde as mais humildes às mais caricatas. Admitia que embirrava um bocadinho mais do que a conta com o ‘e’, mas também era a primeira a assumir que, por vezes, precisava mesmo dele.
A vírgula, por si só, traduzia uma ideia de incompletude, ideia essa que arrastava outros ‘ins’ consigo: indefinição, insegurança, insatisfação… Oh, se não era assim! Quantas e quantas vezes escritores ávidos e insatisfeitos, ansiosos por deixar no papel todas as suas glórias e frustrações, os seus sentimentos mais fundos e as suas raivas mais superficiais, se serviam dela repetida e exaustivamente! Uma palavra VÍRGULA outra palavra VÍRGULA mais outra palavra VÍRGULA e mais outra palavra VÍRGULA até sabe-se lá bem, rondar o infinito! Mas, se a vírgula pensava que teria de estar sozinha ou que, a seguir a si, viria uma qualquer banalidade completamente desfasada do preciosismo anterior, ficava num pranto, muito encolhida e, durante uns tempos, quem quisesse escrever teria de dar asas à imaginação e conseguir uma forma de o fazer sem a vírgula. Foi assim que surgiram textos prolixos, ambivalentes e até famosas brincadeiras sobre testamentos!


(...)

O Ponto e a Vírgula - I

13 de Agosto de 2008

O ponto era decidido, sabia sempre como terminar umas coisas e deixar que outras começassem. Era taxativo, directo, determinado. Era totalmente explícito, embora, por vezes, não soubesse se deveria estar sozinho ou chamar mais dois pontos amigos seus para que a mensagem passasse correctamente. Era este o grande dilema do ponto: ele nunca sabia se estar sozinho era mais saudável do que estar acompanhado, mesmo que, quando estivesse acompanhado, desejasse estar de novo só, cansado que estava de tantas contendas e confusões. No entanto, a verdade é que, se se via novamente sozinho, começava a questionar-se se estaria a cumprir a sua missão correctamente e, findas ou mal findas as questões, já estava a chamar um ou dois pontos seus amigos. Por instantes, cria que, de facto, era melhor deixar ideias em suspenso ou ser a serventia de enumerações.
Mas tudo era cíclico. Quando se cansava de introduzir milhares de ideias, objectos, sensações ou emoções, já nem nos raciocínios interrompidos, nas divagações quebradas, nas mensagens subliminares encontrava conforto. Retomava a sua solidão, a sua determinação, até que começasse, novamente, a duvidar da sua exactidão.

(...)

Vamos .

7 de Agosto de 2007

É bom saber que vives.
É bom saber que és real, no meio de toda a tua perfeição tão humanamente imperfeita.
Gosto de pensar em ti e nos sorrisos que me dás, os sorrisos que espelham o orgulho que sinto por tudo aquilo que és.
Sei que, mesmo quando estás fisicamente distante, nunca estás ausente. Pões o teu coração junto ao meu para que nenhum dos dois se sinta perdido e assustado com o silêncio do seu próprio palpitar.
Mesmo que me julgues, eu sinto-me grata. É a forma que arranjas para me chamares à razão e para me salvares do emaranhado de erros que me começa a envolver, ameaçando a minha capacidade de viver sorrindo, acreditando, lutando.
Gosto que te preocupes comigo. Quando perguntas como estou, mesmo que as atrocidades da vida já me estejam a fazer ceder, é como se a treva em que me encontro se desvanecesse por acção da mais bonita das luzes, a luz que tu irradias e que é tão mas tão tua, a luz que torna mais apaixonante e segura esta batalha que é a vida.
Admiro-te por dares sem receber na mesma medida. Sei que nem sempre retribuo toda a confiança, dedicação e respeito que depositas em mim.
O amor desmesurado que tenho por ti, a admiração que despertas em mim e o desejo de te ter para ouvir só as minhas histórias e as do meu coração fazem com que descure aquilo que realmente procuras em mim.
Amor? Sim. Admiração? Sim. Desejo? Sim. Confiança? Sim.
Mas… Eu sei que tu anseias que tudo isto seja dividido por dois corpos errantes, os nossos, à procura do mais bonito que o mundo tiver para oferecer. Só então seremos corpórea, mental e almamente unos. Cúmplices. Amáveis, amados, amantes.
Não te peço que me entendas até porque não tenho a pretensão de te entender. Só quero que fiques comigo.
Não quero que vás à minha frente para me mostrares o caminho. Não quero que vás ao meu lado para me amparares. Não quero que vás atrás de mim para me protegeres.
Quero apenas e tão somente que venhas comigo e eu prometo que vou contigo.
Seremos um. Não precisamos de preceder, ladear ou seguir nada nem ninguém, nem mesmo um ao outro.
Eu tenho-te. Tu tens-me. Sabemos o nosso caminho. É demais dizer que temos o mundo à nossa espera? É loucura dizer que não precisamos de mais nada? Vamos desbravar o mundo juntos, tão juntos que separar-nos será utopia.
Então, da nossa dualidade, nascerá a nossa unidade, a unidade mais singela de todas: o amor, o nosso amor.
Vamos. Não vês? Temos a vida à nossa espera.